O Rio de Janeiro na época de Machado de Assis
Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 1839, e morreu na mesma cidade, em 1908.
Foram quase 70 anos de muitas mudanças. Quando Machado nasceu, o Brasil ainda era uma monarquia e a escravidão fazia parte da vida cotidiana. Quando morreu, a escravidão já tinha sido abolida, o país era uma república e o Rio de Janeiro começava a se modernizar.
Mas como era viver nessa cidade durante a época de Machado?
Censo de 1872

Em 1º de agosto de 1872, todas as paróquias do Império mandaram às casas formulários de papel que deveriam ser preenchidos: era o primeiro censo do Brasil. Mesmo inexato, podemos ter uma ideia de como era a população nessa época.

Como era o Rio de Janeiro?
O Rio era a capital do Brasil e uma das cidades mais importantes do país.
Também era uma cidade que crescia muito. Em 1872, tinha cerca de 275 mil habitantes. Em 1890, esse número já passava de 520 mil.
Nas ruas circulavam pessoas de diferentes origens e classes sociais: comerciantes, funcionários públicos, trabalhadores livres, pessoas escravizadas e, mais tarde, muitos imigrantes.
Era uma cidade movimentada, mas também muito desigual.
Como as pessoas se locomoviam?
Boa parte dos deslocamentos era feita a pé. Também havia carruagens e outros veículos puxados por animais.
A partir de 1868, os bondes puxados por burros começaram a circular pelo Rio e foram ganhando cada vez mais espaço na cidade.
Machado conheceu muito bem esse meio de transporte. Os bondes aparecem, inclusive, em vários de seus textos.
Já no final do século, veio outra novidade: em 1892, começaram a circular os primeiros bondes elétricos.
Ou seja, durante a vida de Machado, o Rio passou dos bondes puxados por animais aos bondes movidos a eletricidade.


E à noite? Tinha iluminação?
Tinha, mas não como hoje.
Antes da eletricidade, o Rio já contava com iluminação pública. A partir de 1854, lampiões a gás começaram a iluminar várias ruas da cidade.
Isso permitiu que a vida continuasse depois do pôr do sol, principalmente nas regiões centrais. Havia teatros, cafés, restaurantes, festas e outros lugares frequentados à noite.
No final do século XIX, a eletricidade começou a aparecer pouco a pouco.
Machado, então, viu também essa transformação: dos lampiões a gás à iluminação elétrica.
Tinha água encanada? E esgoto?
Sim, mas o acesso não era igual para todos.
Ao longo do século XIX, o abastecimento de água foi melhorando e a água encanada começou a chegar a mais casas. Mesmo assim, muitas pessoas ainda tinham dificuldade de acesso à água e as condições de higiene estavam longe das atuais.
O sistema de esgoto também era insuficiente.
Não é por acaso que epidemias eram frequentes. Febre amarela, varíola, cólera e tuberculose faziam parte da realidade da cidade.
Em alguns anos, milhares de pessoas morriam durante uma única epidemia.
E a escravidão?
Machado nasceu e passou boa parte da vida em um Brasil escravista.
No Rio de Janeiro, pessoas escravizadas estavam presentes em praticamente todos os espaços da cidade. Trabalhavam nas casas, nas ruas, no porto, no comércio e em muitas outras atividades.
A escravidão só foi abolida em 1888, quando Machado já tinha 48 anos.
No ano seguinte, em 1889, outra mudança importante aconteceu: a monarquia chegou ao fim e o Brasil passou a ser uma república.
Machado presenciou, portanto, essas duas grandes transformações.
Todo mundo sabia ler?
Não.
A educação era acessível a uma parte pequena da população e o analfabetismo era muito alto.
Por outro lado, entre as pessoas que sabiam ler, os jornais tinham uma importância enorme.
Eles não serviam apenas para acompanhar as notícias. Publicavam anúncios, opiniões, textos literários, crônicas e até romances em capítulos.
Machado trabalhou durante muitos anos na imprensa e vários de seus textos apareceram primeiro em jornais e revistas e só depois foram publicados em livros.

O que as pessoas faziam para se divertir?
Dependia muito da classe social, claro.
Havia teatros, bailes, festas, cafés, confeitarias e encontros nas casas.
Entre os grupos mais ricos e intelectualizados, também eram comuns os saraus, reuniões em que as pessoas conversavam, ouviam música, recitavam poemas ou liam textos.
Os jornais também eram uma forma importante de entretenimento.
Mas é importante lembrar que o Rio não era vivido da mesma maneira por todos. A experiência de uma família rica era muito diferente da de um trabalhador pobre ou de uma pessoa escravizada.
Uma cidade que mudava o tempo todo
O Rio de Janeiro que Machado conheceu mudou muito durante sua vida.
A população cresceu, surgiram novos meios de transporte, a iluminação se modernizou, a escravidão foi abolida e a monarquia deu lugar à república.
Machado viveu e escreveu no meio de todas essas mudanças.
Conhecer um pouco desse Rio ajuda a entender melhor o mundo em que seus textos foram escritos.
https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=bonde-a-tracao-animal
https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/1o-censo-do-brasil-feito-ha-150-anos-contou-1-5-milhao-de-escravizados
https://bndigital.bn.gov.br/acervo-digital/gazeta/103730
