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Um mundo em transformação: ciência, sociedade e novas ideias no século XIX
A segunda metade do século XIX foi marcada por profundas transformações na maneira como as pessoas viviam e compreendiam o mundo. O desenvolvimento industrial, as novas tecnologias e as descobertas científicas modificavam a sociedade e alimentavam a expectativa de que o conhecimento humano pudesse contribuir para o progresso.
As ferrovias, os navios a vapor e o telégrafo facilitavam a circulação de pessoas, mercadorias e informações. Ao mesmo tempo, novas teorias modificavam a compreensão da natureza e da sociedade.
Em 1859, Charles Darwin publicou A origem das espécies, obra que transformou os estudos sobre os seres vivos.
Na filosofia, o positivismo, associado ao francês Auguste Comte, defendia a importância do conhecimento científico e da observação dos fenômenos para compreender a realidade. Essas ideias ganharam espaço em diferentes países, inclusive no Brasil, onde passaram a integrar os debates intelectuais e políticos.
A mente humana como objeto de estudo
Na França, Philippe Pinel e Jean-Étienne Esquirol contribuíram para o desenvolvimento do alienismo, campo da medicina dedicado ao estudo e ao tratamento da chamada alienação mental. Na época, a palavra alienista designava o médico especializado no tratamento das pessoas consideradas alienadas. Posteriormente, esse campo de atuação passou a ser associado à psiquiatria.
Um Brasil entre a tradição e a modernização
Na década de 1880, o país ainda era uma monarquia governada por D. Pedro II, e a escravidão continuava sendo uma realidade. Ao mesmo tempo, cresciam os movimentos abolicionista e republicano, assim como os debates sobre a modernização das instituições e da economia brasileira.
Os jornais e as revistas desempenhavam um papel importante na circulação de ideias científicas, políticas e literárias. Era também por meio dessas publicações que muitos escritores divulgavam suas obras.
A escravidão seria abolida em 1888 e, no ano seguinte, a monarquia chegaria ao fim com a Proclamação da República.
E a literatura?
A literatura brasileira também passava por um período de renovação.
O Romantismo, que havia predominado durante boa parte do século XIX, começava a conviver com novas formas de representação da sociedade e do comportamento humano. O Realismo ganhava espaço, trazendo um interesse crescente pela observação das relações sociais, pela construção psicológica das personagens e pelas contradições da vida cotidiana.
Machado de Assis participava ativamente desse ambiente intelectual, acompanhando as transformações de sua época por meio de sua atuação como escritor, jornalista e funcionário público.
Foi nesse contexto que, entre 1881 e 1882, publicou O alienista, inicialmente em capítulos no periódico A Estação. A narrativa seria posteriormente incluída na coletânea Papéis avulsos, publicada em 1882.




